O MULTICULTURALISMO ESTÁ DIVIDINDO O OCIDENTE

O Multiculturalismo Está Dividindo o Ocidente
Por Giulio Meotti
24 de Outubro de 2017
Original em inglês: Multiculturalism Is Splintering the West
Tradução: Joseph Skilnik

As estatísticas oficiais da União Europeia sobre o terrorismo são impressionantes:

“Em 2016 foram registrados um total de 142 ataques terroristas, entre fracassados, frustrados e finalizados em oito Estados Membros da UE. Mais da metade (76) deles foram registrados pelo Reino Unido. A França registrou 23, Itália 17, Espanha 10, Grécia 6, Alemanha 5, Bélgica 4 e Holanda 1. Nos ataques morreram 142 pessoas e 379 ficaram feridas na UE. No mesmo ano 1.002 pessoas foram presas por crimes relacionados ao terrorismo”.

Todos esses países procuraram integrar as comunidades muçulmanas e todos se viram num beco sem saída. “Enquanto este estado de coisas continuar, o fracasso da integração representará uma ameaça letal para a Europa”, salientou o Wall Street Journal na esteira de um atentado suicida que matou 22 pessoas em Manchester. Segundo o novo livro Partition: Chronique de la sécession islamiste en France (“Partilha: Crônica da Secessão Islamista na França”) de autoria do repórter francês Alexandre Mendel, o multiculturalismo está gerando rupturas nas sociedades europeias.
Essa conjuntura também está criando infindáveis ondas de ataques terroristas. Em agosto passado, em um único dia, os islamistas assassinaram 20 europeus em Barcelona e na Finlândia. Um mês depois eles massacraram duas meninas em Marselha e em Birmingham um menino xiita foi espancado com requintes de crueldade. Esses são os frutos fatais do multiculturalismo da Europa. É a ideologia europeia mais romântica e sedutora desde o comunismo.

Há uma “cadeia cada vez mais constante de ‘comunidades suspensas’ aninhadas dentro das nações ocidentais”, salientou recentemente o historiador americano Andrew Michta.

“O surgimento desses enclaves, reforçado pelas políticas da elite do multiculturalismo, políticas de identidade de grupos e a desconstrução da tradição ocidental, contribuíram para a ruptura das nações da Europa Ocidental”.
Apenas vinte minutos separam Marais, o elegante bairro de Paris, onde estava localizada a redação da revista Charlie Hebdo e Gennevilliers, um subúrbio que abriga 10 mil muçulmanos, onde os irmãos Kouachi, que assassinaram a tiros os cartunistas da Charlie Hebdo, nasceram e foram criados. Em Birmingham há um subúrbio chamado Sparkbrook, de onde sai um décimo dos jihadistas da Inglaterra. Todas as cidades de maior importância da Europa abrigam enclaves onde proliferam o apartheid islâmico.

Lá burcas e barbas têm um significado. A maneira de se vestir sempre simbolizou lealdade a um estilo de vida, uma civilização. Quando Mustafa Kemal Atatürk aboliu o califado na Turquia, ele proibiu que os homens deixassem crescer as barbas e que as mulheres usassem véus. A proliferação de símbolos islâmicos nos guetos da Europa demarcam a separação desses subúrbios. O novo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Henry Bolton, disse recentemente que a Grã-Bretanha encontra-se “enterrada” pelo Islã e “inundada” pelo multiculturalismo.

De acordo com o ex-arcebispo de Canterbury, Lord Carey of Clifton o “multiculturalismo”, “desencadeou assassinatos em nome da honra, circuncisão genital feminina e o estabelecimento da Lei Islâmica (Sharia) em bolsões das cidades em todo o Reino Unido”. À luz do multiculturalismo europeu, as mulheres muçulmanas perderam inúmeros direitos que deveriam ter na Europa. Elas se defrontam com “crimes em nome da honra” por se recusarem a usar o véu islâmico, por se vestirem com roupas ocidentais, por se encontrarem com amigos cristãos, por se converterem para uma outra religião, por pedirem o divórcio, por se recusarem a serem espancadas e por serem demasiadamente “independentes”.

É uma das grandes ironias do multiculturalismo: cinco membros europeus da OTAN estão lutando no Afeganistão contra os talibãs que escravizam as mulheres, ao mesmo tempo em que elas são escravizadas em nossos próprios guetos na Europa.
Sob o regime do multiculturalismo, a poligamia avançou juntamente com a mutilação genital feminina (500 mil casos em toda a Europa). O multiculturalismo está, a bem da verdade, calcado na legalização de uma sociedade paralela, fundamentada na sharia, que se baseia na rejeição dos valores ocidentais, acima de tudo no tocante à igualdade e à liberdade.
Além disso, o medo de “ofender” as minorias islâmicas acabou criando uma espécie de cegueira auto imposta. Foi o que aconteceu em Rotherham, uma cidade de 117 mil habitantes situada no norte da Inglaterra, onde o estupro em massa e o aliciamento de pelo menos 1.400 crianças por “gangues de estupradores de origem paquistanesa” correu solto por anos a fio.

Sob o multiculturalismo, o antissemitismo também disparou, principalmente na França. O semanário francês L’Express acaba de dedicar uma edição especial exclusiva ao “novo mal-estar dos judeus franceses”.
Todos os recentes terremotos políticos ocorridos na Europa representam as consequências do fracasso do multiculturalismo. Conforme salienta o historiador britânico Niall Ferguson: a principal razão da vitória do Brexit foi a imigração.
“Muitos no Reino Unido olhavam para a crise dos refugiados na Europa e pensavam: se eles adquirirem um passaporte alemão, virão para a Grã-Bretanha e não teremos condições de fazer nada para detê-los. Esta foi a motivação central dos votantes e, legitimamente, porque os alemães abriram as portas a um enorme influxo do mundo muçulmano. Visto a partir do Reino Unido, a reação foi: pera aí, e se eles vierem para cá?”
Na Holanda, a ascensão de Geert Wilders é a consequência direta do assassinato do cineasta Theo van Gogh por um islamista holandês e a reação ao multiculturalismo que se seguiu. Na França, a ascensão política de Marine Le Pen coincidiu com dois anos de ataques terroristas de grandes proporções nos quais 230 cidadãos franceses foram assassinados.
Além disso, o extraordinário sucesso do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas recentes eleições gerais é consequência da decisão fatal da chanceler Angela Merkel de abrir as portas para mais de um milhão de refugiados e migrantes. Beatrix von Storch, uma das líderes do AfD, ressaltou à BBC que “não há lugar para o Islã na Alemanha”. Ela explicou que uma coisa é permitir que os muçulmanos pratiquem a fé islâmica em recintos fechados, outra é acomodar o Islã político, que almeja mudar a democracia e a sociedade alemã.

O establishment europeu fechou os olhos enquanto os supremacistas muçulmanos violavam os direitos de seu próprio povo. Muitos islamistas então bateram às portas da Europa cada vez com mais determinação. O multiculturalismo mata e desestabiliza a Europa somente como o nazismo e o comunismo foram capazes fazê-lo.

Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

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