A velhice… Essa amante silenciosa e paciente que se aproxima devagar, quase sem avisar, mas de modo inevitável. Quando eu era jovem, via a velhice como uma sombra distante, uma realidade reservada a outros. Mas eis que agora ela está aqui, sentada ao meu lado, dividindo meus dias e minhas noites.
Lembro dos tempos em que meus ossos eram firmes, meus passos leves, meus olhos enxergavam muito além do horizonte. Hoje meus passos são mais lentos, e cada degrau parece um desafio. Meus olhos, embora já não tão afiados, contemplaram muito mais do que um dia sonhei ver.
A vida muda, e nós mudamos junto com ela. A beleza da juventude se esvai, mas em seu lugar nasce outro tipo de beleza: [a artrite, rinite, sinusite artrose, reumatismo, bico de papagaio, hipertensão, diabetes etc.] Uma beleza que mora nas rugas das minhas mãos, nas histórias escondidas no meu olhar. Cada marca, cada linha no rosto, é testemunho dos anos, dos risos, das lágrimas e das experiências vividas.
A memória é uma visitante imprevisível. Em alguns dias, recordo detalhes minúsculos — cheiros, sabores da infância. Em outros, as palavras fogem e se escondem em algum canto da mente. Mas aprendi a não me preocupar. Cada lembrança perdida é chance de criar uma nova.
A solidão… Na velhice, ela se torna companhia constante. Amigos se vão, as conversas diminuem. Mas encontrei consolo no silêncio, nas tardes tranquilas. Tornei-me meu próprio amigo e redescobri a graça de ouvir o sussurro do vento e o canto dos pássaros. A beleza das flores do meu Jardim.
A velhice é uma professora rigorosa, mas justa. Ensinou-me a valorizar o que tenho e a deixar ir aquilo que não posso mudar. Mostrou a importância de ser paciente, grato e de viver o presente sem me prender ao passado.
Velhice… Não é um fim, e sim um novo início. [um início de visitas constantes às farmácias, aos laboratórios, às clinicas aos hospitais…] Uma etapa cheia de sabedoria e serenidade. Foi nela que entendi que a vida, com seus altos e baixos, é um presente valioso. E, embora meu corpo fique mais frágil, meu espírito permanece firme, indomável e cheio de esperança, como se tivesse apenas 30 anos.
[O poema é lindo, mas faltou combinar a beleza do otimismo com a realidade da vida]. Grifos meus [a.o.].
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